Brasil e Índia ampliam parceria em inteligência artificial, cibersegurança e telecomunicações

Clara Dervani Por Clara Dervani
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Novo acordo bilateral aproxima os dois países em tecnologias estratégicas, conectividade digital, Internet das Coisas, cabos submarinos e infraestrutura de telecomunicações

Brasil e Índia deram um novo passo para ampliar a cooperação tecnológica entre os dois países. Em 21 de agosto de 2026, os ministérios das Comunicações brasileiro e indiano assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) voltado à expansão da parceria em tecnologia e telecomunicações. O documento inclui áreas consideradas estratégicas para a economia digital, como inteligência artificial, cibersegurança, infraestrutura digital, Internet das Coisas (IoT), fibras ópticas e cabos submarinos. A informação permanece em destaque no noticiário tecnológico brasileiro nesta segunda-feira, 24 de agosto. (TeleSíntese)

O acordo foi firmado durante a missão do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, à Índia, em meio à agenda do Digital BRICS Forum e à reunião de ministros de Comunicações do bloco. A proposta é criar mecanismos permanentes de intercâmbio entre os dois países, incluindo troca de informações e experiências, reuniões bilaterais e programas de formação e capacitação. Um grupo de trabalho bilateral deverá definir as próximas iniciativas e preparar um plano conjunto de ações. (Decision Report)

A parceria amplia uma aproximação que já vinha sendo construída ao longo de 2026. Em fevereiro, Brasil e Índia haviam assinado outro memorando relacionado à cooperação postal. Agora, a agenda passa a envolver diretamente tecnologias de infraestrutura e segurança digital, áreas que ganharam importância com a expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais. (TI Inside)

Inteligência artificial entra no centro da cooperação

A inteligência artificial é um dos principais pontos do novo acordo. Brasil e Índia pretendem ampliar o intercâmbio de conhecimentos e experiências sobre tecnologias emergentes, criando condições para que pesquisadores, empresas e órgãos públicos dos dois países possam desenvolver iniciativas conjuntas.

A inclusão da IA no memorando também acompanha uma estratégia brasileira mais ampla de ampliar a capacidade nacional na área. O país vem anunciando investimentos em supercomputação, infraestrutura digital, formação de profissionais e desenvolvimento de tecnologias próprias, buscando aumentar sua capacidade de processamento e reduzir dependências externas. (UOL)

A cooperação com a Índia pode complementar esse esforço porque o país asiático possui um setor tecnológico de grande escala e uma forte indústria de serviços de tecnologia da informação. O intercâmbio pode envolver conhecimento técnico, capacitação e experiências regulatórias, embora o memorando ainda não estabeleça projetos específicos, valores de investimentos ou metas de implementação.

Cibersegurança ganha importância

Outro eixo central é a cibersegurança. A expansão de serviços digitais, sistemas conectados e infraestrutura crítica aumenta a necessidade de proteger redes e dados contra ataques e interrupções.

Brasil e Índia pretendem compartilhar experiências e conhecimentos relacionados à segurança digital. A cooperação pode beneficiar áreas como telecomunicações, serviços públicos digitais e infraestrutura de conectividade, especialmente em sistemas considerados essenciais para o funcionamento das economias nacionais.

O memorando, porém, ainda possui caráter geral. Segundo informações divulgadas sobre o acordo, não foram apresentados prazos específicos para instalação do grupo de trabalho nem projetos, metas ou investimentos vinculados diretamente ao documento. A implementação concreta deverá ser definida posteriormente pelas equipes dos dois países. (TeleSíntese)

Cabos submarinos e fibras ópticas entram na agenda

A parceria também chama atenção por incluir a infraestrutura física responsável por transportar grandes volumes de dados. Fibras ópticas e cabos submarinos estão entre os temas contemplados pelo acordo, mostrando que a cooperação não ficará restrita ao desenvolvimento de softwares ou aplicações de inteligência artificial.

Os cabos submarinos são fundamentais para a conectividade internacional. Grande parte do tráfego global de internet passa por essas estruturas, que conectam continentes e permitem a transmissão de enormes quantidades de dados entre países.

Para o Brasil, ampliar a discussão sobre infraestrutura digital é estratégico. A expansão da IA, dos data centers, dos serviços de nuvem e de plataformas digitais exige redes cada vez mais robustas e resilientes. A parceria com a Índia pode abrir espaço para troca de experiências sobre planejamento, conectividade e modernização das redes.

Internet das Coisas também está entre as prioridades

A Internet das Coisas (IoT) é outra tecnologia incluída no memorando. O conceito envolve equipamentos e objetos conectados à internet capazes de coletar, transmitir e processar dados.

A tecnologia pode ser aplicada em diferentes setores, como indústria, agricultura, logística, saúde, cidades inteligentes e infraestrutura. Para países de grande extensão territorial como Brasil e Índia, sistemas conectados podem desempenhar papel importante na modernização de serviços e no monitoramento de estruturas.

A cooperação entre os dois países pode ajudar a aproximar pesquisadores e empresas interessados no desenvolvimento dessas soluções. Entretanto, assim como acontece com os demais pontos do acordo, ainda será necessário definir quais projetos efetivamente sairão do papel.

Regulação e proteção do consumidor também fazem parte

O memorando não trata apenas de tecnologia. Regulação das telecomunicações, proteção do consumidor e transformação digital também aparecem entre os temas de interesse comum.

Essa dimensão regulatória é importante porque a expansão de novas tecnologias cria desafios para governos. Inteligência artificial, IoT, serviços digitais e novas formas de conectividade exigem regras capazes de estimular inovação sem deixar de lado segurança, privacidade e direitos dos consumidores.

A troca de experiências entre Brasil e Índia pode ajudar os dois países a comparar modelos regulatórios e discutir soluções para problemas semelhantes. O acordo também prevê reuniões bilaterais e intercâmbio de informações, criando uma estrutura para essa aproximação.

Recursos orbitais e sustentabilidade espacial

Um aspecto menos conhecido do acordo é a inclusão de recursos orbitais e sustentabilidade espacial. O tema envolve a utilização do espaço para serviços de comunicação e outras aplicações tecnológicas.

A discussão ganha importância à medida que cresce a quantidade de satélites utilizados para internet, observação da Terra, navegação e comunicação. A expansão dessa infraestrutura exige coordenação internacional para evitar interferências e garantir o uso sustentável das órbitas disponíveis.

A inclusão do assunto demonstra que a cooperação Brasil-Índia pretende alcançar diferentes camadas da infraestrutura tecnológica, desde os cabos instalados no fundo do oceano até sistemas utilizados no espaço.

Grupo de trabalho deverá definir próximos passos

Apesar da amplitude do memorando, o acordo ainda representa principalmente uma estrutura de cooperação, e não um pacote de investimentos já contratados. O próximo passo será a criação de um grupo de trabalho responsável por definir as iniciativas e elaborar um plano conjunto.

Isso significa que os efeitos concretos da parceria dependerão das decisões tomadas posteriormente. Projetos de IA, capacitação profissional, cibersegurança ou infraestrutura de conectividade ainda precisarão ser detalhados.

O Ministério das Comunicações brasileiro informou que a cooperação tem como objetivos promover conectividade significativa, inclusão digital, intercâmbio de conhecimento e inovação entre os dois países. (TeleSíntese)

Brasil busca ampliar presença na economia digital

A aproximação com a Índia ocorre em um momento em que o Brasil tenta aumentar sua participação na economia digital e fortalecer sua infraestrutura tecnológica. O governo vem tratando inteligência artificial, computação de alto desempenho, nuvem, semicondutores e conectividade como áreas estratégicas.

Recentemente, o governo brasileiro anunciou investimentos bilionários em infraestrutura de IA, incluindo um supercomputador no Rio Grande do Norte e projetos de cooperação tecnológica com empresas chinesas. A estratégia inclui também formação de profissionais e iniciativas voltadas à soberania tecnológica. (UOL)

Nesse contexto, o acordo com a Índia amplia o número de parceiros internacionais com os quais o Brasil pretende desenvolver competências tecnológicas. A estratégia permite diversificar relações e buscar conhecimento em diferentes mercados.

Parceria pode fortalecer tecnologia brasileira

A cooperação entre Brasil e Índia ainda está em uma fase inicial, mas estabelece uma agenda ampla para os próximos anos. Inteligência artificial, cibersegurança, IoT, fibras ópticas, cabos submarinos, regulação e infraestrutura digital passam a fazer parte oficialmente do diálogo tecnológico entre os dois países.

O principal desafio será transformar o memorando em projetos concretos. Para isso, será necessário definir cronogramas, recursos, instituições participantes e objetivos mensuráveis.

Se essa etapa avançar, a parceria poderá gerar oportunidades para universidades, empresas de tecnologia, profissionais especializados e órgãos públicos brasileiros, além de contribuir para o desenvolvimento de soluções digitais e para o fortalecimento da infraestrutura nacional.

Por enquanto, o acordo representa principalmente um compromisso político e institucional de ampliar a cooperação. Os próximos trabalhos do grupo bilateral serão decisivos para determinar quanto dessa agenda tecnológica realmente chegará ao mercado e aos serviços utilizados pela população.

Fontes

Tele.Síntese — Brasil e Índia assinam acordo sobre IA, cibersegurança e telecomunicações

TI Inside — Brasil e Índia ampliam cooperação em IA, cibersegurança e conectividade

Decision Report — missão brasileira na Índia e agenda tecnológica do BRICS

UOL Tilt — investimentos brasileiros em inteligência artificial

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