A fintech brasileira CloudWalk começou a disponibilizar, em seu link de pagamentos, uma solução de autenticação baseada no Visa Payment Passkey. A tecnologia permite que o consumidor confirme compras online usando reconhecimento facial, impressão digital ou outro método biométrico disponível no próprio dispositivo, em vez de depender exclusivamente da digitação do CVV ou de códigos enviados por SMS.
A novidade é resultado de uma integração entre a CloudWalk e a Visa e está inicialmente disponível para pagamentos feitos com cartões armazenados fora do ecossistema Click to Pay. A informação foi divulgada pela Exame em 13 de setembro de 2026, em reportagem sobre a adoção da solução pela fintech.
Na prática, o mecanismo busca tornar mais simples uma etapa sensível do comércio eletrônico: a comprovação de que a pessoa que está finalizando a compra é a legítima titular do meio de pagamento. A proposta combina uma jornada mais curta no checkout com uma camada de autenticação vinculada ao aparelho usado pelo consumidor.
Como funciona o Visa Payment Passkey
As passkeys são credenciais digitais associadas ao dispositivo e ao método de desbloqueio escolhido pelo usuário. Em vez de solicitar uma senha específica para cada serviço ou enviar um código por mensagem, o sistema pode recorrer à biometria já configurada no smartphone, como o rosto ou a impressão digital. O procedimento tende a reduzir a necessidade de digitação durante a compra.
Segundo as informações divulgadas sobre a integração, os dados biométricos permanecem armazenados no próprio aparelho do usuário. Isso significa que a CloudWalk não teria acesso direto a essas informações biométricas durante a autenticação. A confirmação depende, portanto, da interação entre o dispositivo, a credencial passkey e a infraestrutura responsável pelo processamento do pagamento.
É importante diferenciar os elementos envolvidos. A biometria é o método usado para confirmar a identidade do usuário no dispositivo. A passkey é a credencial digital que permite essa autenticação sem depender de uma senha tradicional. Já a tokenização substitui os dados originais do cartão por um identificador digital que pode ser utilizado no processamento da transação, sem expor diretamente o número do cartão em cada etapa.
Impactos para consumidores e lojistas
Para o consumidor, a principal mudança está na redução de etapas durante o pagamento online. A autenticação por biometria pode evitar a consulta a mensagens SMS, a digitação de códigos e o preenchimento repetido de informações. O resultado esperado é uma experiência mais fluida, especialmente em compras realizadas pelo celular ou por links de pagamento.
Para lojistas e plataformas de comércio eletrônico, a tecnologia responde a dois desafios que costumam aparecer juntos: diminuir o abandono de carrinho e controlar tentativas de fraude. Uma jornada com menos campos e confirmações pode facilitar a conclusão da compra, enquanto a autenticação vinculada ao dispositivo acrescenta uma barreira contra o uso indevido de credenciais.
A solução, porém, não elimina todos os riscos. A biometria reduz a dependência de senhas e códigos, mas a segurança também depende da proteção do aparelho, da conta do usuário, da infraestrutura de pagamentos e dos sistemas de monitoramento das transações. Perdas, roubos ou acessos indevidos ao dispositivo continuam exigindo atenção e mecanismos de bloqueio e recuperação.
Integração amplia movimento de autenticação no comércio eletrônico
A iniciativa da CloudWalk ocorre em um contexto de mudanças no modelo de autenticação de compras digitais. Em fevereiro de 2026, a Visa Brasil anunciou um piloto com o Santander que combinava Click to Pay, Visa Payment Passkey e Cloud Token Framework.
De acordo com a Visa, a combinação dessas tecnologias foi apresentada como uma forma de fortalecer a autenticação e, ao mesmo tempo, reduzir o atrito no comércio eletrônico. O movimento acompanha a busca do setor por alternativas às senhas, aos códigos temporários e à exposição direta de dados de cartão em diferentes pontos da jornada de compra.
A Visa também trata passkeys e tokenização como componentes de uma evolução da infraestrutura de pagamentos digitais. O material institucional da empresa sobre o panorama do comércio eletrônico de 2026 relaciona essas tecnologias à autenticação e à proteção das transações, embora a adoção prática possa variar conforme o emissor do cartão, o dispositivo, o estabelecimento e o sistema utilizado.
O que o consumidor deve observar
Ao utilizar um pagamento online com biometria, o consumidor deve verificar se está no site ou no link legítimo do estabelecimento e manter o sistema operacional e os mecanismos de bloqueio do aparelho atualizados. Também é recomendável não compartilhar códigos de acesso, permitir que terceiros cadastrem sua biometria no dispositivo ou confirmar transações que não reconhece.
A novidade da CloudWalk representa uma mudança na forma de autenticar compras, mas não transforma a biometria em garantia absoluta contra fraudes. A efetividade da proteção depende da combinação entre autenticação, tokenização, análise de risco e boas práticas do usuário. Para o comércio eletrônico brasileiro, a adoção da tecnologia indica uma tentativa de equilibrar segurança e rapidez em pagamentos feitos sem a presença física do cartão.