Brasil, Canadá, União Europeia e Quênia lançam iniciativa pelo multilateralismo

Clara Dervani Por Clara Dervani
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Grupo internacional pretende fortalecer instituições multilaterais, defender a cooperação entre países e discutir temas como inteligência artificial, clima e segurança global

Brasil, Canadá, União Europeia e Quênia lançaram nesta segunda-feira (21) a iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo (P4M), durante a semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O projeto é apresentado como uma plataforma aberta e flexível para aproximar países de diferentes regiões e apoiar a reforma e a modernização das instituições multilaterais. (Consilium)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da iniciativa ao lado do presidente do Conselho Europeu, António Costa, do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e do presidente do Quênia, William Ruto. Em manifesto publicado no Financial Times, os quatro líderes defenderam maior cooperação internacional diante de desafios que, segundo eles, ultrapassam as fronteiras nacionais, como mudanças climáticas, inteligência artificial, pandemias e instabilidades nas cadeias de abastecimento. (Financial Times)

A proposta não pretende criar uma nova organização internacional com estrutura burocrática própria. Segundo seus formuladores, o P4M funcionará como uma rede de diálogo e formação de coalizões, com o objetivo de apoiar a Organização das Nações Unidas e outros mecanismos multilaterais existentes. (Consilium)

Iniciativa busca reformar instituições internacionais

O lançamento ocorre em um momento de pressão sobre as instituições multilaterais e às vésperas dos discursos dos chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU. O documento assinado pelos quatro líderes afirma que o sistema internacional precisa se adaptar às transformações econômicas, tecnológicas e geopolíticas das últimas décadas. (Financial Times)

Entre os objetivos apresentados está a construção de instituições internacionais mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. A iniciativa também prevê o fortalecimento da cooperação entre organizações regionais e a busca por mecanismos capazes de transformar compromissos internacionais em ações concretas.

A reforma do sistema das Nações Unidas aparece como um dos principais temas da agenda. O grupo defende mudanças que ampliem a participação de diferentes regiões nas instituições globais, dentro de uma proposta mais ampla de modernização da governança internacional. (Folha de S.Paulo)

O P4M também pretende funcionar como uma plataforma para aproximar países que compartilham princípios relacionados à soberania, ao direito internacional, à solução pacífica de conflitos e à cooperação entre Estados. A proposta, segundo o Conselho Europeu, é construir pontes entre diferentes regiões sem substituir os mecanismos multilaterais já existentes. (Consilium)

Brasil amplia participação na agenda internacional

Para o Brasil, a iniciativa ocorre durante a agenda de Lula em Nova York para a Assembleia Geral da ONU. A participação brasileira coloca o país entre os integrantes da nova plataforma diplomática e ocorre em paralelo à defesa histórica do governo brasileiro por maior representatividade das instituições internacionais.

O manifesto destaca que problemas contemporâneos exigem coordenação entre diferentes governos. Entre os temas citados estão mudanças climáticas, inteligência artificial, segurança sanitária, cadeias globais de produção e governança econômica internacional. (Financial Times)

A presença do Canadá, da União Europeia, do Brasil e do Quênia reúne representantes de diferentes regiões e grupos de países. A composição também amplia o alcance geográfico da iniciativa, que pretende incorporar outros governos interessados em participar da plataforma. O Conselho Europeu descreve o mecanismo como aberto a parceiros de diferentes partes do mundo. (Consilium)

Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, Índia e Austrália estão entre os países que demonstraram interesse em acompanhar ou eventualmente aderir à iniciativa. A possibilidade de novas adesões ainda depende de decisões dos respectivos governos e não representa, neste momento, uma ampliação formal da composição original. (UOL Notícias)

Inteligência artificial e clima entram na agenda

A tecnologia é um dos assuntos incorporados à agenda do Parceiros pelo Multilateralismo. A inteligência artificial aparece entre os temas que, na avaliação dos participantes, exigem coordenação internacional, principalmente diante da velocidade de desenvolvimento da tecnologia e de seus efeitos econômicos e sociais. (Consilium)

A iniciativa também pretende discutir mudanças climáticas e segurança sanitária. Esses temas são tratados como desafios transnacionais, nos quais decisões tomadas individualmente por um país podem ter efeitos sobre outras regiões e exigir mecanismos de cooperação internacional.

A governança econômica global está igualmente incluída entre as áreas de atuação. O grupo pretende discutir formas de fortalecer a cooperação econômica e ampliar a capacidade das instituições internacionais de responder a mudanças no comércio, nas cadeias de produção e nas relações entre diferentes economias. (Folha de S.Paulo)

A proposta agora entra em uma etapa de articulação diplomática para definir como a plataforma poderá funcionar na prática e quais países poderão participar. O encontro realizado em Nova York marca o lançamento formal da iniciativa, enquanto seus integrantes ainda deverão discutir mecanismos de cooperação e possíveis novas adesões. (Consilium)

Fontes principais: Conselho Europeu — Cúpula Parceiros pelo Multilateralismo · Financial Times — manifesto dos líderes · Folha de S.Paulo — Brasil, UE, Canadá e Quênia lançam manifesto · UOL — iniciativa busca novas adesões

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