O que a disciplina do esporte ensina sobre gestão de operações?

Rolando Bonaccorsi
Diego Velázquez Por Diego Velázquez
5 Min de leitura

Poucos universos refletem tão bem quanto o esporte de alta performance a relação entre disciplina, rotina e resultado sustentado ao longo do tempo. Rolando Bonaccorsi, Diretor de Operações da Vert Analytics, reúne em sua trajetória uma combinação pouco comum entre a prática constante do ciclismo de estrada e a gestão de operações de TI, dois campos que, à primeira vista, parecem distantes, mas compartilham princípios estruturais semelhantes.

A seguir, discutiremos como elementos centrais da rotina esportiva, como planejamento de longo prazo, gestão de recuperação e resiliência diante de imprevistos, encontram paralelo direto na forma como operações de tecnologia são estruturadas e conduzidas no ambiente corporativo.

Disciplina como base de qualquer processo de alta performance

Tanto no esporte quanto na gestão de operações, resultados consistentes dependem menos de picos isolados de desempenho e mais da capacidade de sustentar rotinas ao longo de longos períodos. No ciclismo de estrada, a evolução de um atleta amador depende de meses, e não de semanas, de treino estruturado, com progressão gradual de carga e atenção constante à recuperação. O mesmo vale para operações de tecnologia maduras, nas quais ganhos reais de eficiência raramente resultam de decisões isoladas, mas de ajustes contínuos sustentados por indicadores bem definidos.

O mesmo princípio orienta operações de tecnologia bem-sucedidas, nas quais processos maduros e indicadores bem definidos substituem esforços pontuais e reativos. Na trajetória de Rolando Bonaccorsi, essa lógica aparece de forma natural, unindo a rotina de treino no ciclismo de estrada à condução de operações de tecnologia no dia a dia profissional.

O que a gestão de crises em operações tem em comum com imprevistos no ciclismo?

Incidentes em operações de TI, assim como quedas, mudanças climáticas ou falhas mecânicas durante uma prova de ciclismo, exigem resposta rápida, avaliação de cenário e capacidade de adaptação imediata. Conforme destaca Rolando Bonaccorsi, a preparação prévia para cenários adversos, seja por meio de planos de contingência em operações, seja pelo conhecimento do próprio equipamento e do percurso em uma prova, reduz significativamente o impacto de imprevistos quando eles de fato ocorrem.

A diferença entre uma operação que absorve uma falha crítica sem grandes danos e outra que sofre impactos severos costuma estar menos na gravidade do incidente em si, e mais na qualidade do planejamento e da resposta construída previamente. O mesmo raciocínio se aplica à forma como ciclistas experientes lidam com imprevistos durante provas de longa distância, quando a diferença entre completar a prova e abandoná-la muitas vezes está na reação nos primeiros segundos após o imprevisto.

Alta performance no trabalho e no esporte disputam a mesma energia?

Conciliar rotina intensa de treino com responsabilidades de gestão em operações de tecnologia impõe desafios reais de tempo e energia. Rolando Bonaccorsi integra o grupo de profissionais que estruturam a própria rotina para acomodar ambas as dimensões, distribuindo esforço físico e mental de forma equilibrada ao longo da semana, sem que uma área comprometa integralmente a outra.

Esse equilíbrio, embora exija organização rigorosa, tende a gerar benefícios mútuos: a disciplina construída no esporte reforça a constância exigida pela gestão de operações, enquanto a capacidade analítica desenvolvida no ambiente corporativo contribui para um planejamento de treino mais estruturado e menos dependente de improviso. A troca entre os dois universos, nesse sentido, funciona em via dupla, e não como uma simples analogia decorativa.

O que a liderança sob pressão tem a aprender do esporte e da tecnologia?

A capacidade de manter clareza de decisão em momentos de pressão constitui um dos pontos de maior convergência entre liderança esportiva e liderança em operações de tecnologia. Em provas de ciclismo, decisões tomadas em frações de segundo, como o momento de um ataque ou a gestão de esforço em um trecho de subida, determinam o resultado final da prova. Em operações críticas, decisões tomadas sob pressão durante incidentes de grande impacto determinam a extensão dos danos e o tempo de recuperação do serviço.

Rolando Bonaccorsi exemplifica essa convergência ao aplicar, em contextos de gestão, uma lógica de tomada de decisão sob pressão semelhante à exigida em momentos decisivos de uma prova de ciclismo, reforçando como princípios de liderança tendem a atravessar diferentes áreas de atuação, independentemente do contexto em que são exercidos.

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