Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, publisher brasileira de jogos digitais com atuação no mercado de games e tecnologia, comenta que Super Mario Bros. O Filme arrecadou US$ 1,361 bilhão em 2023, a maior bilheteria de uma adaptação de games até então, e a continuação, Super Mario Galaxy, já passou de US$ 1 bilhão em 2026, segundo o Olhar Digital. Os números ajudam a explicar por que Hollywood voltou a olhar para os jogos como fonte de histórias.
Especialistas comentam, nesse contexto, que o movimento que em um dado momento era nichado, agora interessa ao setor inteiro, porque muda o que uma criação digital pode se tornar depois do lançamento.
Por que as adaptações passaram a dar certo
Durante anos, filmes baseados em jogos eram sinônimo de decepção. A mudança recente, segundo a matéria do Olhar Digital, vem de alguns fatores combinados: o respeito ao material original, jogos cada vez mais narrativos, a evolução da computação gráfica e uma audiência mais familiarizada com o universo dos games.
Um exemplo citado é a série The Last of Us, cuja fidelidade à história original está ligada à aproximação entre o showrunner Craig Mazin e Neil Druckmann, co-criador do jogo. Ou seja, quem fez o jogo participou da adaptação.
O que isso diz sobre o valor de uma IP
Uma propriedade intelectual que funciona em outras mídias deixa de depender apenas das vendas do jogo. Ela passa a gerar receita com licenciamento, parcerias e produtos, e ainda leva novos públicos de volta ao título original.
Esse efeito, porém, só existe quando a IP é sólida. Um mundo bem construído, personagens reconhecíveis e uma história com identidade própria são o que atrai produtoras. Um jogo divertido, mas sem universo definido, tem menos a oferecer.
O que o estúdio precisa ter em ordem
A primeira exigência é jurídica. Para negociar uma adaptação, o estúdio precisa comprovar que detém os direitos sobre o personagem, o nome e o enredo. Contratos pouco claros com ilustradores, roteiristas ou programadores podem travar uma conversa promissora.

A segunda é criativa. Richard Lucas da Silva Miranda avalia que estúdios com visão de longo prazo documentam o universo do jogo desde cedo, com descrições de personagens, cronologia e regras do mundo. Esse material funciona como base para qualquer parceiro que queira entender o potencial da obra.
O papel do criador na adaptação
O caso de The Last of Us, aponta Richard Lucas da Silva Miranda, sugere que a participação de quem criou o jogo pesa na qualidade do resultado. Para o estúdio, isso implica manter o controle criativo nas negociações, em vez de simplesmente vender os direitos e se afastar.
Nem sempre o estúdio terá esse poder de barganha, sobretudo quando é pequeno. Ainda assim, cláusulas de consulta e aprovação podem ser negociadas, e podem proteger a visão original da obra.
Mercado brasileiro e as oportunidades que se abrem
O Brasil tem uma cena crescente de desenvolvimento de jogos, mas nem toda IP nacional nasce pensada para circular entre mídias. A tendência global cria um incentivo para que estúdios brasileiros enxerguem seus projetos como universos, e não apenas como produtos.
Isso inclui ideias que ainda estão no papel. Um conceito original, com mitologia própria e referências culturais locais, tem potencial de se destacar em um mercado que busca novidade, desde que seja apresentado com consistência.
Uma tendência que premia o planejamento
As adaptações de games não são um atalho. O que elas premiam é o trabalho de construir uma IP com identidade, proteger os direitos com rigor e manter a coerência ao longo dos anos.
Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, observa que o estúdio que pensa em universo desde o primeiro rascunho chega mais preparado quando a oportunidade aparece, seja ela um filme, uma série ou qualquer formato que ainda nem exista.