Yuri Silva Portela alude que as iniciativas sociais podem aproximar informação, orientação e serviços de pessoas que enfrentam dificuldades de acesso, mas não devem ser tratadas como substitutas das políticas públicas. Como fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela atua nesse debate a partir da experiência com ações voltadas a comunidades. A questão central é entender onde essas iniciativas conseguem contribuir de maneira concreta e onde permanece a responsabilidade do poder público de garantir direitos e serviços de forma contínua.
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Onde começa a contribuição das iniciativas sociais?
Projetos sociais podem identificar necessidades que nem sempre chegam rapidamente aos serviços públicos. Uma ação realizada dentro da própria comunidade, por exemplo, pode revelar dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, à falta de informação ou à necessidade de orientação sobre determinados cuidados. Esse contato direto ajuda a compreender problemas a partir da realidade de quem os enfrenta. A observação dessas situações também pode contribuir para direcionar encaminhamentos e estimular a procura pelos serviços disponíveis.
Outra contribuição possível está na disseminação de informações. Orientações sobre prevenção, direitos, serviços disponíveis e cuidados básicos podem ajudar moradores a reconhecer necessidades e procurar os canais adequados. A informação, entretanto, não resolve sozinha problemas estruturais, principalmente quando existem barreiras de acesso ou ausência de serviços. Por isso, iniciativas educativas produzem melhores resultados quando ajudam a conectar a população aos recursos que já integram a rede de atendimento.
O Humaniza Sertão se insere nesse espaço de aproximação com a comunidade. A experiência do Doutor Yuri Silva Portela à frente do projeto evidencia uma característica importante das iniciativas sociais: elas podem atuar mais próximas do território e perceber demandas específicas. Essa proximidade pode complementar ações existentes sem retirar do poder público suas atribuições. A atuação comunitária, nesse sentido, pode funcionar como apoio e ponte para outros serviços, preservando a responsabilidade das estruturas públicas pela oferta contínua de assistência.
Por que projetos sociais não substituem políticas públicas? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela
Políticas públicas possuem responsabilidades que não podem ser transferidas para projetos voluntários ou organizações sociais. Garantir atendimento de saúde, estruturar serviços, manter profissionais, financiar programas e assegurar acesso contínuo são tarefas que dependem de planejamento, orçamento e políticas permanentes. A participação de iniciativas sociais pode complementar esse trabalho, mas não deve ser utilizada como justificativa para reduzir responsabilidades institucionais ou substituir serviços essenciais.

Uma iniciativa pode realizar uma ação em determinado local durante um período específico, mas não consegue garantir sozinha a continuidade necessária para atender toda uma população. Se uma comunidade depende exclusivamente de ações pontuais para conseguir determinado cuidado, existe um problema estrutural que precisa ser enfrentado por meio das políticas públicas. Nesse cenário, Yuri Silva Portela expressa que o trabalho social pode ajudar a evidenciar demandas e aproximar pessoas de recursos existentes, enquanto a solução permanente depende de medidas capazes de garantir atendimento regular.
Como uma ação pode ir além do atendimento pontual?
O impacto de uma iniciativa não precisa ser medido apenas pela quantidade de pessoas atendidas em um determinado dia. Uma ação também pode contribuir para ampliar conhecimento, identificar demandas, fortalecer vínculos comunitários e encaminhar pessoas para serviços que possam oferecer acompanhamento. Esses resultados podem ser importantes mesmo quando não aparecem imediatamente em números ou em atendimentos concluídos no momento da atividade.
Nesse sentido, uma atividade de orientação pode ter continuidade quando ajuda o morador a entender onde buscar atendimento ou quais caminhos existem para determinada necessidade. O objetivo deixa de ser apenas oferecer uma resposta imediata e passa a facilitar o acesso a uma rede que possa acompanhar aquela pessoa posteriormente. Esse encaminhamento pode reduzir dúvidas e ajudar o indivíduo a dar continuidade ao cuidado de acordo com a necessidade identificada.
Para o Doutor Yuri Silva Portela, iniciativas sociais precisam manter essa conexão com a realidade local. Conhecer as dificuldades encontradas pelos moradores permite que as ações sejam direcionadas para necessidades concretas, evitando projetos construídos apenas a partir de percepções externas sobre aquilo que a comunidade precisa. A escuta dos moradores, nesse processo, ajuda a estabelecer prioridades e pode tornar as iniciativas mais coerentes com os desafios encontrados no próprio território.