Ciclone e frente fria podem provocar ventos acima de 80 km/h no Brasil; veja regiões sob maior risco

Clara Dervani Por Clara Dervani
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Novo sistema deve trazer temporais, granizo e queda de temperatura ao Centro-Sul do país entre quarta-feira e o fim de semana.

Uma nova mudança brusca no tempo deve atingir parte do Brasil nos próximos dias. A combinação entre áreas de baixa pressão, uma nova frente fria e a formação prevista de um ciclone extratropical poderá provocar temporais e rajadas de vento superiores a 80 km/h em áreas do Centro-Sul do país. As projeções indicam intensificação das instabilidades a partir de quarta-feira, 9 de setembro, com maior atenção para os dias seguintes.

O fenômeno chega logo depois de uma sequência de temperaturas excepcionalmente baixas. No feriado de 7 de Setembro, municípios do Sul registraram temperaturas negativas, enquanto a cidade de São Paulo teve sua tarde de setembro mais fria desde 2000, com máxima de 13,6°C. Agora, a principal dúvida é onde o novo sistema poderá produzir os efeitos mais fortes e quais cuidados devem ser adotados diante da possibilidade de vento intenso, chuva volumosa, descargas elétricas e granizo.

Onde o ciclone e a frente fria devem provocar os maiores impactos?

O cenário meteorológico começa a ganhar força entre quarta-feira (9) e quinta-feira (10), quando uma área de baixa pressão deverá se desenvolver e expandir sobre Paraguai e norte da Argentina. Esse sistema tende a alcançar gradualmente o Sul do Brasil e Mato Grosso do Sul, aumentando a instabilidade atmosférica. As projeções destacadas pela Climatempo apontam possibilidade de rajadas moderadas a fortes e temporais severos especialmente no Paraná, em Santa Catarina, no sul de Mato Grosso do Sul e no oeste paulista.

A situação deverá se tornar mais significativa na sexta-feira (11). A previsão indica a formação de um ciclone extratropical associado a uma nova frente fria entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O centro do ciclone poderá apresentar pressão atmosférica inferior a 1.000 hPa, característica de um sistema intenso. Outra área de baixa pressão deverá atuar entre o norte do Paraguai, o sul da Bolívia e o Centro-Oeste brasileiro, contribuindo para criar um ambiente favorável a tempestades.

Além da chuva, o vento merece atenção especial. A combinação desses sistemas poderá produzir rajadas acima de 80 km/h, acompanhadas localmente por granizo e descargas elétricas. Ventos dessa intensidade podem provocar queda de galhos e árvores, danos em estruturas mais frágeis e interrupções no fornecimento de energia. Isso não significa que todas as cidades das regiões citadas registrarão rajadas dessa magnitude, pois tempestades severas possuem distribuição irregular e podem atingir municípios vizinhos com intensidades bastante diferentes.

No sábado (12), a frente fria deverá avançar em direção a Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto o ciclone começa a seguir para o oceano. Ainda haverá risco de temporais no Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. No domingo (13), o sistema frontal tende a alcançar áreas do Espírito Santo, enquanto a massa de ar polar se espalha pelo leste do Sudeste. A previsão ainda pode sofrer ajustes conforme o ciclone se desenvolve, por isso avisos meteorológicos atualizados são mais importantes do que previsões feitas com vários dias de antecedência.

Por que o frio voltou com tanta intensidade em setembro?

A sequência de frentes frias ajuda a explicar as temperaturas baixas observadas no começo de setembro. Uma massa de ar polar que avançou pelo Centro-Sul já havia provocado marcas negativas durante o feriado. Em Santa Catarina, Bom Jardim da Serra chegou a -6,1°C, São Joaquim registrou -5,9°C e Urupema marcou -5,4°C. No Rio Grande do Sul, Bom Jesus chegou a -3,8°C, enquanto cidades paranaenses também tiveram temperaturas próximas ou abaixo de zero.

O impacto também alcançou o Sudeste. Na cidade de São Paulo, a estação do Mirante de Santana registrou máxima de apenas 13,6°C em 7 de setembro, menor temperatura máxima para o mês desde setembro de 2000. Durante a madrugada, os termômetros haviam chegado a 10,1°C. Em áreas mais elevadas do estado, como Campos do Jordão, foram registradas temperaturas ainda menores. Esses números ajudam a mostrar que o frio recente não foi apenas uma impressão provocada pelo vento ou pela nebulosidade, mas um episódio meteorológico relevante.

A próxima massa de ar polar deverá novamente reduzir as temperaturas, embora as projeções atuais indiquem que ela não deverá avançar sobre o território brasileiro com a mesma intensidade daquela observada durante o feriado. O resfriamento deve alcançar os três estados do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Posteriormente, temperaturas menores também são esperadas no Rio de Janeiro, sul e leste de Minas Gerais e Espírito Santo.

A chegada de um ciclone extratropical também não significa que o sistema necessariamente passará diretamente sobre todas essas áreas. Esses ciclones são sistemas de baixa pressão comuns nas médias latitudes e podem influenciar grandes regiões ao organizar ventos, umidade e frentes frias. O risco para a população depende de sua intensidade, trajetória e interação com outras condições atmosféricas. Por isso, o mais importante é acompanhar os avisos específicos para cada município e estado à medida que a previsão se aproxima.

Quais cuidados tomar diante de ventos fortes e temporais?

Com possibilidade de rajadas acima de 80 km/h, alguns cuidados simples podem reduzir riscos. Durante tempestades, é recomendável evitar permanecer próximo de árvores, postes, estruturas metálicas frágeis e placas que possam ser derrubadas pelo vento. Objetos soltos em varandas, quintais e áreas externas também podem ser deslocados por rajadas fortes. Em situações de chuva intensa, motoristas devem reduzir a velocidade e nunca tentar atravessar ruas ou estradas tomadas pela água.

Outro risco são as descargas elétricas. Durante uma tempestade, ambientes fechados oferecem maior proteção do que áreas abertas, campos, praias ou locais elevados. A população também deve acompanhar comunicados da Defesa Civil e avisos meteorológicos oficiais, principalmente porque o nível de risco pode mudar rapidamente conforme as tempestades se organizam. O Instituto Nacional de Meteorologia mantém uma plataforma específica para avisos de fenômenos potencialmente perigosos em diferentes regiões do país.

A agricultura e a infraestrutura também podem sentir os efeitos dessa mudança. Granizo, chuva volumosa e vento intenso podem prejudicar lavouras, enquanto quedas de árvores e interrupções de energia afetam cidades e rodovias. No Paraná, por exemplo, previsões publicadas nesta terça-feira apontam volumes elevados de precipitação nos próximos dias, especialmente em áreas do oeste, sudoeste, sul e centro do estado. A distribuição exata das chuvas dependerá da trajetória e da velocidade dos sistemas atmosféricos.

A previsão desta terça-feira, 8 de setembro, portanto, indica uma semana de atenção para boa parte do Centro-Sul brasileiro. A formação do ciclone e o avanço da frente fria poderão trazer uma combinação de chuva forte, granizo, descargas elétricas e rajadas superiores a 80 km/h, seguida por uma nova redução das temperaturas.

Como fenômenos meteorológicos podem mudar de intensidade e trajetória em poucas horas, a previsão deve ser acompanhada continuamente. Mais importante do que saber apenas se haverá um ciclone é verificar quais avisos estão vigentes para cada município e quais riscos estão associados a eles. Para quem vive nas áreas potencialmente afetadas, acompanhar os alertas da Defesa Civil e do Inmet durante os próximos dias será a forma mais segura de se preparar para a mudança no tempo.

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