País supera metas previstas para 2027 com cobertura de internet móvel de quinta geração e crescimento da fibra óptica.
A conectividade no Brasil vive um momento de transformação acelerada. Segundo dados oficiais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o país encerrou 2025 com 270,2 milhões de acessos celulares, sendo 58,1 milhões deles já operando em tecnologia 5G, o equivalente a 21,5% do total de linhas móveis ativas no território nacional. O crescimento da quinta geração de internet móvel impressiona: o salto foi de 46,6% em relação aos 39,9 milhões de acessos 5G registrados em 2024.
Diante de números tão expressivos, surge uma dúvida natural entre os brasileiros que ainda usam aparelhos mais antigos: o 5G já está realmente disponível na minha cidade, e vale a pena trocar de celular para aproveitar essa tecnologia agora? A resposta passa por entender como a cobertura tem avançado pelo país e quais ainda são os obstáculos que impedem uma adoção mais rápida por parte da população.
A cobertura da rede 5G já atinge 64,94% da população brasileira, distribuída em mais de 2.019 municípios, superando com folga a meta de 57,67% que havia sido originalmente estabelecida para 2027. Esse desempenho também chamou atenção internacional, já que operadoras brasileiras se consolidaram entre as campeãs mundiais de velocidade de download segundo relatórios do setor, com o país saltando do 80º para o 45º lugar no ranking global de velocidade desde o início das operações comerciais da tecnologia, em julho de 2022.
Como o 5G avançou mais rápido do que o previsto no Brasil
O ritmo de expansão da quinta geração de internet móvel no Brasil surpreendeu até mesmo as próprias metas regulatórias estabelecidas pela Anatel. A liberação completa da faixa de 3,5 GHz, essencial para o funcionamento do 5G standalone (a versão mais avançada da tecnologia, sem depender de redes 4G), foi concluída com 14 meses de antecedência em relação ao prazo originalmente previsto no edital do leilão de frequências. Esse adiantamento permitiu que todos os municípios brasileiros estivessem aptos a receber a tecnologia mais rapidamente do que o planejado inicialmente pelo governo federal.
Parte dessa aceleração se deve à atuação conjunta entre Anatel, operadoras e a Entidade Administradora da Faixa, responsável por coordenar a transição do sinal de TV que antes ocupava essa frequência. Para viabilizar a liberação, foi necessário instalar mais de três milhões de kits de recepção de TV via satélite em residências de famílias de baixa renda inscritas em programas sociais, migrando o sinal da banda C para a banda Ku sem que essas famílias perdessem acesso à programação de TV aberta. Esse processo técnico, embora pouco visível ao consumidor final, foi determinante para que o Brasil pudesse liberar o espectro necessário à expansão acelerada do 5G.
O Distrito Federal se destaca nesse cenário com a maior densidade de adoção do país, já contando com 44,1% de suas linhas móveis operando em tecnologia 5G. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná também lideram em termos absolutos de crescimento, respondendo por mais da metade da expansão nacional registrada no último ano. Apesar da cobertura ampla, ainda existe um descompasso relevante entre a disponibilidade da rede e a efetiva utilização por parte da população: enquanto 64,94% dos brasileiros já têm acesso à cobertura 5G, apenas 21,5% das linhas móveis realmente utilizam a tecnologia, principalmente por conta do custo elevado dos aparelhos compatíveis, que ainda representa a principal barreira de adoção no país.
O que está acontecendo com a banda larga fixa e a fibra óptica
Enquanto a internet móvel avança com o 5G, o segmento de banda larga fixa também apresenta uma transformação relevante na qualidade da conexão oferecida aos brasileiros. Segundo a Anatel, o país encerrou 2025 com 53,9 milhões de acessos de banda larga fixa, um crescimento de 2,7% em relação aos 52,5 milhões registrados em 2024. Mais importante do que o crescimento em volume, porém, é a mudança na qualidade dessas conexões: enquanto os planos com velocidade inferior a 100 Mbps registraram queda de 1,8 milhão de assinaturas, as conexões de alta velocidade, com 100 Mbps ou mais, cresceram 3,1 milhões no mesmo período, resultando em um ganho líquido de 1,3 milhão de assinantes no total.
Essa migração para conexões mais rápidas não está restrita aos grandes centros urbanos. Segundo os dados consolidados pelo setor, o padrão de crescimento das conexões de alta velocidade se manteve em áreas geográficas diversas, mostrando a contribuição relevante de provedores regionais de internet, que têm investido pesado na expansão de redes de fibra óptica fora do eixo das capitais. Atualmente, a fibra óptica já responde por cerca de 79% de todas as conexões de banda larga fixa do país, consolidando-se definitivamente como a principal tecnologia de acesso à internet residencial no Brasil, superando de forma ampla outras tecnologias mais antigas, como o cabo coaxial e o ADSL.
Esse avanço tem implicações econômicas que vão muito além da velocidade de navegação. Conexões mais rápidas e estáveis ampliam a capacidade de trabalho remoto, viabilizam o uso de serviços digitais mais exigentes, como streaming em alta definição e videoconferências profissionais, e fortalecem a participação econômica da população em plataformas digitais. Programas como o Norte Conectado, que está instalando milhares de quilômetros de fibra óptica subaquática e terrestre ligando cidades da Amazônia, reforçam o compromisso de levar essa infraestrutura também para regiões historicamente mais isoladas do país, reduzindo desigualdades regionais no acesso à internet de qualidade.
Os desafios que ainda travam uma adoção mais ampla da tecnologia
Apesar dos números positivos, o cenário de conectividade brasileiro ainda enfrenta obstáculos relevantes que merecem atenção. O principal deles é o chamado “custo Brasil”, expressão usada para descrever a carga tributária elevada que incide sobre aparelhos eletrônicos e serviços de telecomunicações, encarecendo tanto a aquisição de celulares compatíveis com 5G quanto a adesão a planos de internet de maior velocidade. Esse fator ajuda a explicar por que a cobertura da tecnologia já avançou tanto, mas a efetiva utilização por parte da população ainda caminha em ritmo mais lento.
Outro desafio identificado pelo setor é a queda expressiva nas conexões 4G em estados mais desenvolvidos, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, que perderam, juntos, milhões de linhas dessa tecnologia. Especialistas destacam que essa contração reflete substituição tecnológica e não encolhimento do mercado, já que o 4G segue como a principal tecnologia de banda larga móvel para a maior parte dos brasileiros durante esse período de transição. Ainda assim, a perda de conexões 4G levanta questionamentos sobre acessibilidade para quem ainda não tem condições financeiras de migrar para aparelhos mais modernos.
Para tentar equilibrar esse cenário, a Anatel tem direcionado investimentos específicos para regiões historicamente desassistidas pela infraestrutura de telecomunicações, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país. O Projeto Expansão de Redes, executado em parceria com o BNDES, prevê levar conectividade a mais de 500 municípios distribuídos em 17 estados, com investimento bilionário dividido entre expansão de fibra óptica, redes de acesso urbano e tecnologias móveis de quarta e quinta geração. A meta declarada pelo setor é que, até 2027, praticamente toda a população brasileira tenha acesso à tecnologia 5G, reduzindo progressivamente as assimetrias regionais que ainda marcam o acesso à internet de qualidade no país.
Os números divulgados pela Anatel confirmam que o Brasil avança em ritmo acelerado na modernização de sua infraestrutura digital, superando metas que pareciam ambiciosas apenas alguns anos atrás. Ainda assim, a real democratização dessas tecnologias depende de fatores que vão além da simples disponibilidade de rede, como o custo de aparelhos e planos compatíveis com 5G. Para o consumidor que já tem cobertura disponível em sua região, o próximo passo é avaliar o custo-benefício de migrar para um plano mais moderno, considerando tanto o preço do aparelho quanto os ganhos reais de velocidade e estabilidade que a nova tecnologia pode oferecer no dia a dia.
Fontes:
https://teletime.com.br/18/02/2026/evolucao-das-telecomunicacoes-no-brasil-em-2025/
https://www.gov.br/mcom/pt-br/noticias/2026/fevereiro/acesso-a-banda-larga-fixa-cresceu-2-7-em-dezembro-de-2025-em-comparacao-ao-mesmo-periodo-do-ano-anterior-segundo-anatel
https://www.gov.br/anatel/pt-br/anatel-garante-r-8-milhoes-para-expandir-cobertura-de-5g-em-regioes-desassistidas-do-pais
Autor: Diego Rodríguez Velázquez