Preço médio do etanol caiu 1,5% na última semana, e relação com a gasolina ficou favorável ao biocombustível em 11 unidades da federação.
O preço do etanol hidratado recuou em grande parte do Brasil na semana de 2 a 8 de agosto e voltou a ganhar competitividade diante da gasolina em dez estados e no Distrito Federal. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas, e foram divulgados nesta segunda-feira (10). No levantamento, o preço médio nacional do etanol caiu de R$ 4,00 para R$ 3,94 por litro, uma redução de 1,50%. (UOL Notícias)
A mudança interessa especialmente aos motoristas de veículos flex, que podem escolher entre os dois combustíveis no momento do abastecimento. Mas preço menor não significa automaticamente economia: é necessário comparar o valor do litro com o rendimento do veículo. Por isso, a chamada regra dos 70% continua sendo uma referência útil para saber quando o etanol tende a compensar financeiramente.
Onde o etanol está mais competitivo no Brasil
De acordo com o levantamento mais recente da ANP, o etanol apresentou paridade favorável em Acre, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A relação é calculada comparando o preço médio do etanol com o da gasolina em cada localidade. Quando o percentual fica abaixo de aproximadamente 70%, o biocombustível costuma ser considerado mais vantajoso para veículos flex. (Tribuna do Sertão)
Os números mostram diferenças significativas entre os mercados. A paridade ficou em 68,46% no Acre, 68,40% no Amazonas, 67,24% na Bahia e 63,75% no Distrito Federal. Em Goiás, a relação foi de 63,25%; em Mato Grosso, de 55,13%; em Mato Grosso do Sul, de 60,65%; em Minas Gerais, de 63,65%; no Paraná, de 62,01%; em Santa Catarina, de 68,15%; e em São Paulo, de 57,17%. (Tribuna do Sertão)
O resultado nacional também chama atenção pela queda do preço do etanol. Entre 2 e 8 de agosto, o combustível ficou mais barato em 22 estados e no Distrito Federal, enquanto houve alta apenas em Mato Grosso do Sul e estabilidade no Espírito Santo e em Roraima. Não houve cotação disponível para o Amapá no período analisado. (UOL Notícias)
São Paulo, que possui grande peso no mercado nacional de combustíveis, registrou preço médio de R$ 3,63 por litro, com queda de 1,89% na semana. No Acre, a redução percentual foi ainda maior: 2,36%, levando o preço médio para R$ 4,97. Esses números mostram por que a decisão de abastecer com etanol precisa levar em consideração o preço praticado na região onde o motorista está. (SBA1)
Como saber se vale a pena abastecer com etanol
A comparação entre etanol e gasolina não deve ser feita apenas olhando o valor exibido na bomba. O etanol normalmente apresenta rendimento energético menor por litro, fazendo com que um veículo percorra menos quilômetros com a mesma quantidade de combustível. Por isso, um etanol que custa metade do preço da gasolina, por exemplo, não necessariamente representa uma economia proporcional.
A referência mais conhecida é a chamada regra dos 70%. Para aplicá-la, basta dividir o preço do litro do etanol pelo preço do litro da gasolina e multiplicar o resultado por 100. Se o resultado ficar abaixo de 70%, o etanol tende a ser economicamente interessante; se ficar acima desse patamar, a gasolina geralmente apresenta vantagem. A porcentagem, porém, é uma aproximação e pode variar conforme o modelo do veículo, as condições de condução e o consumo real registrado pelo motorista.
Um exemplo ajuda a entender. Se a gasolina estiver custando R$ 6,50 e o etanol R$ 4,40, a relação será de aproximadamente 67,7%. Nesse caso, o etanol estaria abaixo da referência de 70% e tenderia a ser uma opção mais econômica. Se o biocombustível custasse R$ 4,70, entretanto, a relação subiria para aproximadamente 72,3%, tornando a gasolina potencialmente mais vantajosa.
Por isso, os dados da ANP funcionam melhor como referência geral do que como uma regra absoluta para todos os motoristas. O preço pode variar de um posto para outro dentro da mesma cidade, e o consumo também muda de acordo com trânsito, peso do veículo, ar-condicionado, estilo de direção e manutenção. Para quem deseja economizar, comparar os preços dos postos próximos e conhecer o consumo médio do próprio carro pode ser mais útil do que seguir apenas uma média estadual.
O que explica a queda do etanol e o que esperar dos preços
A redução observada na última semana mostra que o mercado de combustíveis continua apresentando diferenças importantes entre regiões. A média nacional do etanol caiu 1,50%, mas a intensidade do movimento não foi igual em todos os estados. Enquanto 22 estados e o Distrito Federal registraram queda, Mato Grosso do Sul teve aumento e Espírito Santo e Roraima permaneceram estáveis. (Band)
Outro dado importante é que a média nacional da gasolina utilizada na comparação também varia conforme o período e a metodologia do levantamento. Em uma síntese semanal da ANP anterior ao período de 2 a 8 de agosto, a gasolina C apresentava média de R$ 6,56 por litro, enquanto o etanol hidratado estava em R$ 4,00. (Serviços e Informações do Brasil)
A diferença entre os preços é influenciada por diversos fatores, incluindo custos de produção, logística, oferta regional, demanda e características do mercado de cada estado. No caso do etanol, a dinâmica do setor sucroenergético também exerce influência, já que a disponibilidade do biocombustível está relacionada à produção agrícola e ao funcionamento das usinas.
Para o consumidor, isso significa que a vantagem pode mudar rapidamente. Um estado que apresenta etanol competitivo em uma semana pode deixar de apresentar a mesma relação posteriormente se houver alteração relevante no preço de qualquer um dos combustíveis. A própria série recente da ANP mostra como os valores oscilam de acordo com o período analisado.
O cenário desta semana, portanto, é especialmente interessante para proprietários de veículos flex. Em 11 unidades da federação, a relação entre etanol e gasolina está abaixo da referência normalmente utilizada pelo mercado, enquanto o preço médio nacional do biocombustível caiu para R$ 3,94 por litro. (Tribuna do Sertão)
Para quem vai abastecer, a melhor estratégia é simples: conferir o preço local, calcular a proporção entre etanol e gasolina e considerar o consumo real do veículo. A queda registrada pela ANP melhora a posição do etanol, mas a escolha mais econômica continua dependendo da combinação entre preço e rendimento. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, essa diferença regional pode representar uma economia relevante ao longo de vários abastecimentos.